Quarta-feira, Março 11, 2009
Tão bom amar...
E for todo o horizonte um frêmito de palmas
E junto ao leito fundo nossas duas almas
Chamarem nossos corpos nus, entrelaçados
Seremos, na manhã duas máscaras calmas
E felizes, de grandes olhos claros e rasgados...
Depois, volvendo ao sol as nossas quatro palmas,
Encheremos o céu de vôos encantados!
E as rosas da Cidade inda serão mias rosas,
Serão todas felizes, sem saber por quê...
Até os cegos, os entrevadinhos...
E vestidos, contra o azul, de tons vibrantes e violentos
Nós improvisaremos danças espantosas.
Sobre os telhados altos, entre o fumo e os cata-ventos! "
Mario Quintana
Ditabranda Ditadura, tanto bate até que fura!
grande conhecedora das artimanhas de um bom cozido:
o fogo tinha que ser brando.
Só que aí, uma dita cuja, que mal conheceu a vó da Dita,
Turnê do Encantamento
8 de março - Dia da Luta das Mulheres

Aviso da Lua que Menstrua
Elisa Lucinda
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Ilustração: Paula Santos
Sábado, Junho 28, 2008
Toda Porra de Mês
Como será que essa sensação se reflete por dentro do meu corpo?
Imagino as hemácias em guerra
O sangue deve se transpor do estado liquído para a emulsão do gasoso: fumaça vermelha
uM LABIRINTO DE células que caminham feito pacman
direitaEsquerdaSobeDesceSegueVIraVoltavai...sua...vaiSobeDesce....Volta
Cansa...Não chega a lugar nenhum DILATA!!!!!!!!!!
a bomba do lado esquerdo se acelera e bumBUMBUMMMMMMMMMM, parece que vai romper a carne e fugir...
Adrenalina e substâncias químicas venenosas invadem as células, deturpam minhas palavras,
alteram minha respiração, agridem todos os meus que aqui ao lado estão.
TPM?
Vulcão...
Domingo, Dezembro 16, 2007
Crônica escrita em 2000
POR QUE NÃO ?
Fragmentos Introdutórios
Malas nas costas (literalmente), coração aos pulos - tum, tum, tum - calafrios (espécie de frios-quentes), medo e desejo se misturando cada vez mais....
Dez dias de insônia, olhares que se cruzaram sem quaisquer compromisso de concretização de uma história.
Uma ciranda, sedução, jogo, dois corpos próximos ao som de alguma coisa que acontece no meu coração entre a Ipiranga e a São João, onde se localiza a Viação Aérea de São Paulo. Destino? Maceió.
Boa Viagem...
Maceió, 13 de outubro de 2000 - Lua Cheia
Silêncio interior. Barulho de carros, pedestres, buzinas. Ouve-se passos que se destacam dos demais pelas especificidades de seus anseios.....
UMA PRAÇA. Praça do Centenário.
Ela, numa ponta da praça, indumentária: calça tipo cigarrete preta, blusinha branca e sandálias, nas costas uma mochila que parecia conter os anseios do mundo, peso.
Ele, surge de uma outra ponta, calça preta, blusa bege e sapatos. Nas costas ? Uma mochila também, menor do que a dela, porém passível de abrigar anseios..... Nas mãos uma garrafa d'agua.
Pronto! Era disso que ambos precisavam, ÁGUA, muita água...
Água pra acalmar a ansiedade, a taquicardia, para apagar o calor que tomava conta de seus corpos e para produzir salivas, salivas para próxima palavra que diriam um ao outro.
- Oi, eu vim! , Ela estava por demais nervosa, tentava disfarçar mas imediatamente se traiu, derrubou a preciosidade daquela garrafa de água, tão repleta de significados...
Respiraram fundo, Ele passou a mão sobre o rosto dela e agora que já não tinham mais água, começaram a andar.
Na bem da verdade nenhum dos dois sabiam ao certo o que estavam fazendo ali, lado a lado. Haviam trocado tantas expectativas, saudades, se desejado mutuamente e no entanto nem sabiam quem eram, ou será que sabiam ?
Talvez isso nem importasse!
E sairam a andar, andar pelas ruas da cidade, dentre pessoas que, no fundo de suas almas, naquele momento nem existiam .
Caminhavam lado a lado e às vezes, afobadamente, seus corpos se esbarravam sem a menor intimidade. Agora não se tratavam mais de corpos virtuais, tinham forma, volume, peso, cor, temperatura e até gosto e cheiro, embora os dois últimos eles ainda não sabiam. Corpos que guardavam dentro de si os desejos do mundo e os medos do mundo também.
Um ônibus, UFA, agora eles já podiam sentar-se próximos, como nunca haviam sentados, já tinham dado muitas voltas em círculo e estavam prontos para começar a se olhar, se ver (3a categoria), se descobrir... Momento de constatações e surpresas, olhar as bocas, os olhos, os sorrisos, os jeitos.... Enfim, começaram a se REDESCOBRIR!
E a viagem começou, ou melhor, continuou....
VIAGEM (S.f. ato de ir de um a outro lugar relativamente afastado), este seria um verbete bastante apropriado para definir tal situação. Se tratava de um afastamento no tempo, no espaço, na órbita e na imaginação que, agora, migrava de IMAGEM para AÇÃO.
Uma viagem que transcendia duas vidas fincadas em mundos secionados e que por opções irracionalmente concretas romperam a barreira do monótono cotidiano e se permitiram acreditar em sua intuições.
Estrada reta, caminhos sinuosos...
Belo dia ensolarado, sereias sobre o mar. Dois olhares timidamente permitindo um encontro... Era como se pedissem licença um pro outro - Posso penetrar no seu mundo ? - E contraditóriamente, ao mesmo tempo que buscavam um intercâmbio entre seus mundos, este momento só existia porque haviam deixado seus próprios mundos.
Ai...
Primeira parada, agora começavam a sentir-se mais soltos, mais leves, como se trocassem seus sapatos e sandálias por confortáveis chinelos, como se molhassem os pés no mar, como se simplesmente contemplassem crianças brincando de quebrar potes....
Ali já sabiam que aquela história, como quase todas as histórias do mundo, não era repleta apenas de verdades, tinha mentiras necessárias para torná-la verdadeira... e ela telefonou.
Se viram verdadeiros nas suas mentiras e mentirosos nas suas verdades!
Outro carro, de volta a estrada... A estrada que os levavam deus sabe pra onde, eles também não sabiam qual seria o caminho escolhido ou quais seriam os caminhos a escolher, a percorrer e a regressar.
Agora o carro era menor, bem menor, mais confortável.... como se aos poucos eles fossem chegando cada vez mais perto do espaço interior um do outro, aos poucos, bem aos pouquinhos, iam escrevendo está história num papiro branco.
Dúvidas ? TODAS DO MUNDO. Desde sempre, desde que seus olhos se cruzaram numa ciranda ou seus corpos se conheceram numa dança... Pra onde ir ? Não sabiam nem ao certo se deveriam ir, quanto menos pra onde!
E voltaram a andar. Andaram, andaram, suaram, Ela era bem mais leve do que quando se encontraram na Praça, pois a mochila que guardava o peso dos seus anseios estava sobre as costas dele...
Se cansaram ? Sim, cansaram, mas ali, naquele momento, já se gostavam e a Barra de Sto Antônio respirava tranquila porque via-os bem!
Era uma história tão sem nexo, tão aparentemente sem lógica, afinal desejo, paixão são coisas equivocadamente apresentáveis sem lógica, que parecia ser preciso ainda mais.... Transgredir o continente, atravessar a água (que é a mais pura representação dos sentimentos) e atracar num outro território, num outro mundo, numa outra tela, como num filme onde a LUA se encontrava no camarim, se despindo para que na sua mais nua beleza iluminasse e brindasse aquele momento ímpar, quando assim eles à solicitassem.
Era uma Ilha, no imaginário popular símbolo do isolamento - Quem você levaria para uma Ilha deserta?- E de repente o destino lhes jogaram ali. Nela dois mundos estranhos foram convergidos pra uma história em comum.
Uma história que a cada momento colecionava mais dados, mais detalhes, mais imagens...
Imagens como a daquela canoa que os ligara aquele outro mundo.
E novamente, sairam a andar.... Poxa, como andaram.... Andavam há dez dias sem nem perceber!
Seus corpos estavam cansados, pediam, suplicavam, por aconchego, repouso, banho, sossego....... e encontraram!
Demorou, mas enfim, encontraram.
Era um casebre....
Um gracioso casebre que agora abrigara seus corpos e seus pertences... Um casebre que sabiamente impedia a visão da paisagem dos fundos, aquela que representara o dia-a-dia, o previsível, o estático e, ao mesmo tempo, AMPLIAVA, ABRIA, ESCANCARAVA o cenário da janela da frente....
Que pena, mas somente os dois, ELE e ELA, puderam conhecer a paisagem da frente!
Bem, agora já não tinham mais malas nas costas e suas antenas telefônicas estavam temporariamente desligadas do mundo.
Seus corpos eram, jaz, mais leves, mais limpos....
Já haviam olhado pra si, olhado entre si e olhado ao redor... Escutado as palavras do mar e comtemplado a rara beleza da Lua.
ENTÃO, com a coragem que somente os valentes neurônios embebecidos no álcool ousam alcançar, lá estavam eles, finalmente prontos.
Prontos para se tocar!
E se tocaram... como se tocaram!
É, ela estava lá, de testemunha!
Quem???????????????? A LUA!
Estava CHEIA, tão cheia.... cheia de orgulho! Orgulho porque na história da humanidade foram poucas, pouquissímas às vezes em que ela pode presenciar tamanha insubmissão. Onde duas pessoas inconsequentemente "arrancaram" gravátas, paletós, vestidos longos, regras, conveniências, tempo, lógica, espaço e medo SIMPLESMENTE pra se olhar e se tocar.
SE OLHAR e SE TOCAR.... algo que parece tão pouco aos olhos de muitos!
AH, a Lua aplaudiu e o Mar se embriagou!
Para Lua e o Mar, enquanto compartilhavam e contemplavam aqueles instantes nem perceberam ou se lembraram do quanto eram espacialmente distantes!
Lua e Mar, lado a lado, metaforicamente como Ela e Ele, faraway, so close...
E enquanto viveram, Ela e Ele, esta história em comum, foram aprendendo um pouco mais sobre as contradições, os paradoxos, as metáforas, enfim, as figuras de linguagens do mundo...
"E pensar que tudo começou a partir de uma pergunta: "Por que não?"
A pergunta mais perigosa que existe, a mais subversiva.
Por que não, se eu quero sim!
Não se perguntem nunca, não se perguntem "por que não?". A MENOS QUE VOCÊS QUEIRAM SIM!"
out/2000
Quinta-feira, Setembro 27, 2007
JUVENTUDE
dar noticia, informar, prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir.
É preciso avisar toda a gente
segregar a palavra e a senha
engrossar a verdade corrente
de uma força que nada detenha
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores
é preciso, imperioso e urgente
Mais flores! Mais flores! Mais flores!
João Apolinário
Segunda-feira, Agosto 06, 2007
O Poema do semelhante
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.
Elisa Lucinda
Segredo inviolável
"Grite", repeti-me inutilmente com um suspiro de profunda quietude. (...)
Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável."
Clarice Lispector
Terça-feira, Abril 24, 2007
Merije...par de luas!

se felicidade é uma viagem
eu tô fazendo a coisa certa
tô seguindo o meu caminho
de coração e cabeça aberta
sem hora para chegar
apreciando a paisagem
fazendo o melhor que eu posso
pra não ficar na saudade
porque felicidade é uma viagem
não tem idade
não é bobagem
é só uma viagem
Wagner Merije
www.myspace.com/coletivouniversal
Segunda-feira, Abril 23, 2007
OGUNHÊ, Salve Ogum! - 23 de abril

A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.
Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados.
Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta.
Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.
Segundo as pesquisas de Monique Augras, na África, Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.
Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido.
É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.
Tem, junto com Exu, posição de destaque logo no início de um ritual. Tal como Exu, Ogum também gosta de vir à frente. A força de Ogum está tanto na coragem de se lançar à luta como na objetividade que o domina nesses momentos (e o abandona nos momentos de prazer e gozo).
É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); segundo Pierre Verger. Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas .
Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa.
Ogum gosta de dormir no chão, precisa que o corpo entre em contato sempre direto com a natureza e dispensa roupas elaboradas e caras, que possam ser complicadas de vestir ou que exijam muito espaço na mochila. Não tem compromisso com ninguém, nem com seus próprios objetos.
A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.
Existem sete tipos diferentes de Ogum, mas Ogum Xoroquê merece um destaque específico, pois é um Orixá masculino duplo, ou seja possui duas formas diferentes de manifestação. É associado à irmandade e afinidade estreita de Ogum com Exu, pois passa seis meses do ano como Ogum e os outros como Exu, sendo considerado guerreiro feroz, irascível e imbatível.
Características dos Filhos de Ogum
Os homens e mulheres que têm Ogum como seu Orixá de cabeça, vão ter comportamentos diferentes, de acordo com os segundos e terceiros Orixás que os influencia ajuntós (adjutores). De qualquer forma , terão alguns traços comuns: são conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande, a franqueza absoluta, chegando mesmo à falta de tato.